Previsões de 2023 no mundo cripto

Estamos no final de ano, altura para previsões. 

O que eu espero para 2023?

Vai ser um ano de muita turbulência no preço do Bitcoin, mas o valor vai continuar a crescer, é imparável. 

Leis, leis e mais leis

Os estados vão atacar em força, depois de muita discussão, as leis vão começar a ser aprovadas e a serem cumpridas. Muitas destas primeiras leis, são leis às portuguesas, ou seja, umas extremamente restritivas, outras absurdas, que é impossível colocar em práticas, são leis apenas no papel, ninguém as cumpre ou ninguém consegue fiscalizar.

Depois existem outras regulamentações/leis que os governos pretendem, mas possivelmente não vão conseguir aprovar, devido à forte polarização da sociedade/politica, por esse motivo vão aplicar as leis já existentes ao mundo cripto. Isto vai acontecer nos EUA, não vão criar leis específicas para cripto, vão usar o sistema existente, classificar como commodities ou securities.

O Bitcoin é sem dúvida uma commodities, o restante é praticamente tudo securities. Ao classificar os projectos de cripto como securities vai acabar com milhares de projectos, sobrevivendo apenas alguns, os maiores, que têm dinheiro e capacidade para regulamentar na SEC. Dificilmente irão aparecer novos projectos. As criptos ficam com o mesmo estatuto de uma acção.

Se antes do merge do Ethereum, existiam dúvidas se era ou não uma securities, o merge foi esclarecedor. O POS provocou uma centralização dos nodes nos EUA, colocam em sob jurisdição norte- americana e ainda adicionaram o burn

O burn era a jóia da coroa do marge, era o ultra sound money, o eth deflacionário. Depois destes slogans apelativos para atrair investidores, tornaram o Ethereum uma securities.

Todos os projectos têm funções de burn, são securities, sem qualquer dúvida.

Com a classificação como securities os projectos vão começar a cair em 2023 e vai-se prolongar por 2024, vai criar muita turbulência no mercado.

Estas regulamentações vão acentuar um movimento que já é notório neste fim de ano, a centralização da massa humana, tanto de programadores como de utilizadores nos principais projectos.

Bitcoin

Ninguém tem duvidas que Bitcoin é uma commodities, mas o políticos vão fazer tudo para considerar-o como securities. Isso já é visível no debates sobre o FTX no EUA, onde congressistas querem incluir o bitcoin como securities e propondo leis ridículas. Vale tudo para limitar o Bitcoin, mas não o vão conseguir.

O ataque ao POW será ainda mais forte, porque é o único ponto fraco do bitcoin, onde os políticos podem atacar. Quando eu falo em ponto fraco não estou a falar em termo de ser ou não ser poluidor, o ponto fraco é a centralização da mineração em alguns países e em poucas empresas. Facilmente o estado interfere nas empresas ou limita o uso da energia on-grid.

Eu espero que no final de 2023 seja o inicio da descentralização da mineração, sair dos grandes datacenters e reduzir o consumo energia on-grid. Descentralizar-se pelo mundo, com produção própria de energia, renováveis ou de gás metano. Isto é mais um desejo que uma previsão. O sonho ver, em cada riacho ou rio, um miner; cidadãos comuns com eólicas ou painéis solares, poço de petróleo, aterros, em qualquer ponto do planeta onde existe uma fonte de energia, existir um miner.

Conjuntura

Eu acredito, que 2023, será o ano charneira, um ano que ficará para a historia. O Bitcoin vai resister a todas as pressões dos reguladores, vai sair imaculado. Vai acabar aquele zunzun precistente que durou anos, que era a falta de regulamentação.

A conjuntura macro será única nestes 14 anos do Bitcoin:

  • Inverno cripto está a chegar ao fim, possivelmente o seu preço vai laterizar ou uma ligueira subida;
  • A regulamentação vai provocar uma concentração nos principais projectos blockchain, tanto a nível de utilizares como de desenvolvedores.
  • A inflação vai continuar muito alta na maioria dos países do mundo, incluindo nos países de moedas fortes (que é algo invulgar);
  • EUA e a Europa vão entrar em recessão, levando consigo o resto do mundo;
  • A recessão global vai aumentar os problemas das dívidas soberanas e como resposta vão voltar à impressão de dinheiro.
  • O problema das dívidas suberanas vão voltar à tona, sobretudo nos países mais endividados. Na Europa o foco vai para Portugal, Itália, Grécia e Espanha. O BCE vai ser obrigado a parar o processo de contratação monetária (programa anti-inflação) e terá que ajudar estes países. Março e Junho, são dois momentos cruciais no programa, assim, se existir algum problema será no fim do ano ou 2024.
  • A guerra da Ucrânia provocou polarização do mundo, em dois blocos. Isto irá acentuar-se este ano e nos próximos, especialmente a nível económico e monetário, o bloco do leste vai querer reduzir a hegemonia do dólar no comércio internacional. Não sei qual será a alternativa escolhida, o favorito será o Yuan. Possivelmente vamos ver os árabes a vender petróleo em Yuan, talvez … o certo é que o Yuan vai crescer e tirar cota ao dólar nos mercados internacionais. Será o início da queda do dólar.

Em suma, em termos macro, a crise vai continuar e agravar; no bitcoin, o inverno está a terminar ou já terminou, vai iniciar um novo ciclo. Em 2022 a crise macro coincidiu com o inverno cripto, caíram os dois em simultâneo, mas 2023 será diferente para o bitcoin. Esta será a grande diferença entre 2022 e 2023.

Estes factores todos em simultâneo vai trazer muita gente nova ao Bitcoin, vão utilizar-lo como reserva de valor. Devido à desvalorização das suas moedas locais, vai dar a sensação que o Bitcoin valorizou a esta nova geração, que vai evangeliza-lo e criar uma nova onda de utilizares. E estas duas ondas vão surfar a onda da bullrun criada pelo halving de 2024.

Mas estas duas novas ondas serão compostas especialmente por pessoas oriundas de países em desenvolvimento, especialmente nos países emergentes e os de África. E é nestes países que o Bitcoin vai desempenhar a sua função primordial, ser uma moeda, uma reserva de valor.

Exchange

Os países vão limitar as criptos nas CEX, obrigando-as apenas a ter criptos aprovados (securites) ou bitcoin. Esta medida irá limitar imenso o acesso a tokens, especialmente dos utilizadores mais novos, que não usam DEX. Os governos já perceberam que, se controlarem as CEX, controlam grande parte do capital.

Outra lei que será aprovada, é a limitação dos utilizadores de DEX não locais, para não acontecer como na FTX, existia a FTX.US regulamentada mas a maioria dos cidadãos norte-americana tinha conta na FTX Global, evitando a regulamentação. Os países não vão permitir que as exchanges voltem a fazer isso.

O falência da FTX veio dar razão a Satoshi, o formula que ele criou resulta. Apenas houve problemas em serviços centralizados, a descentralização e as carteiras de auto-custódia são a solução. As empresas que faliram estava ligadas diretamente ou indecisamente à FTX, ao restante do mercado não houve contágio. Esta crise levou a uma corrida bancaria, onde foram retiradas partes significativas de reservas das exchanges e não faliram.

Se o mesmo acontece-se na banca legacy, quantos bancos sobreviviam a uma corrida bancária? A uma retirada de 30% ou 40% das suas reservas em pouco dias? a resposta é fácil… ZERO, todos iam à falência, nem existia papel moeda suficientes para todas as pessoas, fazerem os seus levantamentos.

As stablecoin também serão fortemente regulamentadas, apenas as regulamentadas serão listadas nas CEX. As regulamentadas terão que ter 100% das reservas em dívida soberana do respectivo emissor.  

Resta-nos as criptos baseadas na privacidade, sua utilização/posse vai ser criminalizada, Moneros e afins, vão desaparecer das DEX.

Mas a lei que faz falta e possivelmente não vai ser aprovada, é a obrigação das DEX ter reservas com 100% do capital, proibir as reservas fracionárias. Esta não vai ser aprovada.

Soberania

2022 foi o fim da inocência por parte dos políticos, finalmente eles perceberam o Bitcoin e a sua política monetária, e as suas consequências no sistema financeiro actual. Em 2023, os políticos vão fazer tudo para acabar com as carteiras auto-custodiais, vão usar tudo, desde fakenews, para criar medo na população. 

A guerra criptografia vai-se prolongar por 2023, possivelmente será o seu apogeu. Os políticos vão continuar a atacar as carteiras de auto-custodiais e prender programadores sem acusação. Vão fazer tudo para limitar a liberdade e soberania dos cidadãos.

Mas o contra-ataque está a começar e os primeiros resultados já estão a aparecer, como o Fedemint/ecash, Cashu, o Nostr… mais mais aparecerá em 2023.

Em suma, 2023 será um ano de muita regulamentação e centralização nos grandes projetos, nos desenvolvimentos nas layer 2 e/ou 3.

Em 2023, os cripto entusiastas vão finalmente dar razão ao bitcoiners maximalistas, vão perceber a importância do POW e da descentralização.

2022 vai ficar para a história, como o último ano sem dinheiro programável, 2023 será o inicio da CBDC do euro. Como foi possível avançar, sem debate público sobre o assunto, sem ser aprovado, grande parte das populações não fazem a minima ideia do que está a ser feito. Está tudo a ser feito pela surdina, porque será?… isto não me sai da cabeça.